O Que Você Negocia Quando Compra Um Contrato
Guardar meu progressoFuturos na B3 para Iniciantes · Vol. 1
O Que Você Negocia Quando Compra Um Contrato
Igor Silva
Comprar ação e operar futuro são coisas diferentes
Quando você compra uma ação da Petrobras, você vira sócio da Petrobras. Uma fração minúscula, mas sócio: tem direito a dividendo, o papel fica registrado no seu nome e, se você não fizer nada, ele continua lá em dez anos.
Quando você compra um contrato futuro de índice, você não vira sócio de nada. Você assumiu um lado de um acordo sobre a variação de um preço. Não existe papel guardado, não existe dividendo, e o contrato tem data para morrer.
Essa distinção não é acadêmica. Ela muda três coisas na prática: o dinheiro entra e sai da sua conta todo dia, você precisa manter uma garantia depositada enquanto a posição existe, e a posição vence — em algum momento ela deixa de existir queira você ou não.
O mercado à vista é sobre posse. O mercado futuro é sobre compromisso. Quase todo erro grave de iniciante em mini contrato nasce de tratar um compromisso como se fosse posse — comprar e “deixar lá para recuperar depois”, como se faz com ação.
Por que esse mercado existe (e o que você é dentro dele)
O mercado futuro não foi inventado para day trader. Ele foi inventado para transferir risco.
Imagine um exportador de soja que vai receber dólares daqui a três meses. Se o dólar cair nesse intervalo, ele perde receita — e ele não quer apostar em câmbio, quer vender soja. Então ele vende contratos futuros de dólar hoje: se o dólar cair, ele perde no negócio e ganha no contrato. Trocou incerteza por previsibilidade. Isso se chama hedge.
Só que, para o exportador vender um contrato, alguém precisa comprá-lo. Esse alguém é o especulador — que aceita o risco de que o exportador quis se livrar, esperando ser pago por isso. Você, operando mini contrato, é esse alguém.
Hedger
Entra no mercado para reduzir um risco que ele já tem fora dele: exportador, importador, produtor rural, gestor de fundo que quer proteger uma carteira de ações.
Especulador
Entra para assumir risco em troca de retorno esperado. É quem dá liquidez ao hedger. Não é papel sujo nem esperto — é uma função econômica, e ela é remunerada só para quem faz bem.
Arbitrador
Ganha com distorções entre preços relacionados: futuro contra à vista, um vencimento contra outro. É quase todo automatizado e é ele que mantém os preços coerentes.
Saber qual papel você ocupa importa porque define contra quem você está operando. Do outro lado da sua ordem raramente está outro iniciante: está uma tesouraria, um fundo, um algoritmo. Você não precisa ser melhor que eles em tudo — precisa ter um critério que eles não estão explorando naquele momento, e precisa sobreviver enquanto descobre qual é.
Comprado e vendido — ganhar na queda sem alugar nada
No mercado à vista, ganhar na queda é complicado: você precisa alugar o papel de alguém, pagar a taxa de aluguel, vender, recomprar depois. Existe, mas é burocrático e caro.
No futuro, não. Vender é tão simples quanto comprar: um clique do outro lado da boleta. Você não precisa possuir nada porque não está entregando nada — está assumindo o lado do contrato que ganha se o preço cair.
Isso tem uma consequência psicológica que quase ninguém antecipa: o mercado caindo deixa de ser desconforto e vira oportunidade. E tem uma consequência prática desconfortável: quem está vendido perde sem teto. Um ativo pode cair no máximo até zero, mas pode subir indefinidamente. Ficar vendido sem stop é a forma mais rápida de descobrir isso.
Comprado, sua perda máxima teórica é o preço ir a zero. Vendido, não existe perda máxima teórica. Na prática você nunca deveria chegar perto de nenhuma das duas, porque o stop existe — mas o iniciante que “tira o stop para não ser estopado” está apostando contra uma assimetria que não perdoa.
Os mini contratos: por que o Brasil opera WIN e WDO
A B3 negocia contratos futuros de várias coisas — índice, dólar, juros, boi, café, milho. Para quem está começando, dois deles concentram praticamente toda a liquidez de varejo, e é neles que este curso vive.
WIN — mini índice
Contrato futuro do Ibovespa. Cada ponto vale R$ 0,20. Com o índice em 140.000 pontos, um único contrato representa R$ 28.000 de exposição. É o contrato mais negociado por pessoa física no Brasil.
WDO — mini dólar
Contrato futuro de taxa de câmbio, com tamanho de US$ 10.000. Cada ponto vale R$ 10,00. Com o dólar a 5.400 pontos, um contrato representa cerca de R$ 54.000 de exposição.
IND e DOL — os contratos cheios
As versões grandes dos dois: o IND vale R$ 1,00 por ponto (cinco vezes o WIN) e o DOL tem tamanho de US$ 50.000 (cinco vezes o WDO). São o mercado institucional. Você não tem nada a fazer neles agora.
Repare no número que aparece nos dois: um contrato do menor produto disponível já movimenta dezenas de milhares de reais. O mini é chamado de mini porque é menor que o cheio — não porque seja pequeno. Guarde isso; o Volume 4 inteiro é sobre a consequência disso.
Onde a Toro entra
Para operar futuros na B3 você precisa de uma conta em corretora com acesso a derivativos. A Toro é a corretora parceira da TraderLab para o mercado brasileiro, e é o ambiente que usamos como referência nos exemplos deste curso.
Três coisas importam para você agora:
Abertura online e gratuita
O cadastro é digital. Depois de aberto, procure na sua conta a habilitação para derivativos e assine o termo de ciência de risco — sem essa etapa, a boleta de futuros simplesmente não abre para você.
Plataforma com simulador
Você vai passar as primeiras semanas operando em conta de simulação, com preços ao vivo e dinheiro virtual. Ao escolher a plataforma de negociação, confirme com o suporte como ativar o modo simulador. Isso não é sugestão: é o método deste curso.
É onde os exemplos acontecem
Boleta, book, tipos de ordem, encerramento de posição — os Volumes 5 e 6 descrevem cada passo assumindo que você tem a tela aberta na frente.
Ainda não tem conta para operar futuros?
Abra a sua na Toro pela TraderLab
A Toro é a corretora parceira da TraderLab para o mercado brasileiro. A abertura é online e gratuita, e é por lá que você habilita o acesso aos mini contratos da B3 e ao simulador que este curso usa nas primeiras semanas.
Depois de abrir, peça a habilitação para derivativos e assine o termo de risco — sem isso a boleta de futuros não abre.
Parceria: ao abrir a conta pelo nosso link, a TraderLab pode receber uma remuneração da corretora, sem custo adicional para você. Isso não altera o conteúdo do curso nem constitui recomendação de investimento.
O aviso honesto que este curso precisa dar
Existe um estudo brasileiro que qualquer pessoa que vá operar mini índice deveria ler antes de depositar o primeiro real. Fernando Chague e Bruno Giovannetti, da FGV, acompanharam quase 20 mil pessoas que começaram a operar mini índice futuro na B3 e persistiram na atividade.
Entre os que persistiram por mais de 300 pregões, 97% perderam dinheiro. Cerca de 1% conseguiu ganhar mais do que o salário mínimo diário. Um punhado insignificante ganhou o equivalente a um bom salário.
Isso não prova que é impossível. Prova outra coisa, mais útil: que a distribuição de resultados nesse mercado é brutalmente assimétrica, que persistir sem método não converte em resultado, e que a maior parte do prejuízo vem de risco mal dimensionado e custo de operação — não de falta de um indicador melhor.
O que este curso não promete
- •Que você vai ganhar dinheiro
- •Que existe um setup que sempre funciona
- •Que dá para viver de day trade em poucos meses
- •Que mais contratos é o caminho para acelerar
O que ele entrega
- •Você vai entender o que compra, o que paga e o que arrisca
- •Vai calcular tamanho de posição em vez de chutar contratos
- •Vai conhecer ajuste diário, margem, custos e imposto
- •Vai ter uma rotina de treino antes de arriscar dinheiro real
O vocabulário mínimo
Fixe estas dez palavras. Elas voltam em todos os volumes.
Glossário do volume 1
Comprado / long
Posição que ganha se o preço subir
Vendido / short
Posição que ganha se o preço cair
Ponto
A unidade de cotação do contrato; cada ponto vale um valor fixo em reais
Tick
A menor variação de preço permitida no contrato
Nocional
O tamanho total da posição em reais — pontos multiplicados pelo valor do ponto
Margem de garantia
Valor exigido pela B3 como caução enquanto a posição existe
Ajuste diário
Crédito ou débito do resultado do dia na sua conta, todo pregão
Vencimento
A data em que o contrato deixa de existir e é liquidado
Rolagem
Trocar a posição do vencimento atual para o próximo
Zeragem compulsória
Encerramento forçado da sua posição pela corretora, por falta de garantia ou por horário
Exercício desta semana
Antes de qualquer operação:
- →Abra a sua conta e solicite a habilitação para derivativos. Não deposite nada além do mínimo — depósito não é o próximo passo do iniciante.
- →Ative o simulador da plataforma que você escolheu. Se não encontrar, pergunte ao suporte antes de seguir para o Volume 2.
- →Abra o gráfico do mini índice e apenas observe por 20 minutos, sem operar. Repare em quanto o preço anda em um minuto e converta isso em reais: cada 5 pontos é R$ 1,00 por contrato.
- →Escreva com as suas palavras a diferença entre comprar uma ação e comprar um contrato futuro. Se travar, releia o capítulo 1.
- →Copie o glossário do capítulo 7 à mão. Parece bobagem; é a forma mais rápida de parar de se perder na tela.
No Volume 2 vamos abrir o WIN e o WDO por dentro: valor do ponto, ticker, vencimento, rolagem e horários — o mapa do contrato que você vai operar.
© Solis Research Ltda · Material exclusivo TraderLab · Proibida a reprodução ou distribuição fora desta plataforma
Ação contra contrato futuro, hedger e especulador, comprado e vendido, os mini contratos da B3, onde a Toro entra e o aviso honesto sobre day trade.
